domingo, 17 de novembro de 2013

Seguindo os sonhos

Olá!

Faz tempo que não posto nada, né? Desculpo-me, mas vim hoje para falar sobre isso.

Começando do começo, falando em sonhos...

Há muito tempo atrás... coisa de 10 anos quando eu conheci um descendente de japonês no trabalho, conversávamos sobre sonhos, objetivos de vida... e ele falou o quanto gostaria de morar fora do país por que o Brasil não valoriza a população que trabalha de sol a sol (chuva a chuva se for em Curitiba) para pagar a corrupção e tantos problemas sociais que maltratam o povo, principalmente os que mais trabalham e menos são remunerados... enfim, conversamos bastante e várias vezes sobre isso. O assunto ficou meio no ar, mas esquecido.

Então 4 anos mais tarde (há 6 anos atrás) eu e esse descendente de japonês do trabalho nos casamos, começamos outros sonhos, outros projetos de vida conjugal. Sempre trabalhando, lutando, vivendo com amor... mas com poucas evoluções para o que pretendíamos para o nosso futuro.

Em 2011 uma surpresa tão maravilhosa quanto inesperada... a gravidez. Morávamos num lugar que apesar de muito cômodo e confortável, não era o que pretendíamos para nós e voltamos "à mesa de planejamento".


Na metade da gravidez, tive problemas, parei de trabalhar fora, comecei a me sentir muito sufocada vivendo como estava, o marido foi  ficando frustrado profissionalmente pelas poucas oportunidades que a cidade oferecia em seu ramo de trabalho (informática)... até que o bebê, David, nasceu.


Passamos 3 dias no hospital em que tive o David, conversamos bastante e decidimos que não queríamos aquela vida para o nosso filho. Ele tinha o direito de ter mais escolhas, nós tínhamos o dever de dar a ele mais do que nós tivemos. Não estávamos falando de coisas materiais, mas de oportunidades, possibilidades, de vida sem tantas diferenças sociais, de um mundo mais justo, mais correto, mais honesto.


Um dia (o David tinha uns 3 meses de idade), nos foi sugerido "por que vocês não saem do Brasil?". Foi como se acendesse uma luz no fim do túnel da minha vida. O Tadashi (marido) disse "eu sempre desejei isso, a Dani nunca quis falar a respeito por causa da avó dela". Sempre tive (e tenho) uma dívida gigante de gratidão com a minha avó que tão generosamente me criou, ensinou tudo de bom que eu sou (algum dia falo mais sobre isso). Mas com o nascimento do meu filho, tudo mudava de figura. Preciso pensar nele, no que é melhor para essa vida que acaba de começar.


E assim começamos a planejar. Estudamos os melhores lugares para essa mudança, voltamos a estudar inglês... um dia a empresa que o Tadashi trabalhava faliu e em maio/2013 ele perdeu o emprego... o que fazer? Ele não achava justo se envolver em outra empresa, outro projeto e deixar toda uma equipe na mão, já que nossos planos eram para que o Tadashi viajasse primeiro para preparar as coisas, nossa data era setembro/2013. Então... aquela era a hora.

Dia 09/06/2013 ele embarcou para a Nova Zelândia e eu fiquei no Brasil com o David que recém tinha completado 1 ano de vida. Sempre acreditei que para boas coisas acontecerem, a gente precisa ser merecedor, batalhar. E é isso que meu marido fez e está fazendo até hoje: batalhando. Trabalhando em outras coisas que não são a profissão dele, se virando como possível.

Emagreceu 12kg. Eu também emagreci. Quando o David nasceu, pesava 92kg, hoje 68kg. Não é só regime que emagrece, sofrimento também. Eu e o Tadashi sempre fomos muito unidos, parceiros, amigos antes de qualquer coisa. Claro que como um casal tivemos momentos difíceis, brigas, desentendimentos. Mas esses meses que passamos separados foram muito dolorosos. Para mim, que sou mais emotiva, mais intensa, ficou bastante óbvio, para ele que não viu os primeiros passos do filho, as primeiras palavras... ele ficou ainda mais recluso, mais reservado, dava para ver pelo peso.

Em 15/10/2013 eu e o David chegamos à Queenstown, Nova Zelândia. Por que o Tadashi já tinha conseguido o emprego dos sonhos, uma boa condição de vida? Não. Porque já não suportávamos ficar longe um do outro. Porque se ficássemos esperando o ideal, se procurássemos razões para eu ficar no Brasil, nunca sairíamos de lá. Então, numa verdadeira odisséia, eu e meu filho pegamos os aviões, depois de horas e horas de vôo, vários imprevistos, muita ajuda... chegamos.


"Achei difícil a chegada até aqui, mas eu cheguei... mas eu cheguei..." A Viagem essa música fala muito para mim...

Em todo esse projeto, conheci pessoas fantásticas, fiz amigos que levarei para sempre, gente daqui da Nova Zelândia, do Brasil, do Japão, do Canadá... gente que se uniu pelo coração e que eu sou profundamente grata, que eu não sei como retribuir, mas que passarei o resto da vida tentando (muito mais gente do que tenho fotos pra mostrar).


E aí você pode estar se perguntando... valeu a pena? Eu te respondo sem pestanejar: valeu e está valendo cada dia. É difícil explicar para quem não vive essa experiência, mas mesmo com todas as dificuldades e problemas, viver aqui é melhor que no Brasil. Digo isso por que eu acho que todos deveriam fazer isso? Não. Porque esse é o nosso sonho, nosso projeto de vida.

E quando se segue o coração, os sonhos... tudo vale a pena. Tudo compensa.
Se algum dia nosso coração, nossa vida, nos levar para outros rumos, inclusive de volta para o Brasil, nós iremos. Eu e meu marido temos um propósito de vida: ser felizes, plenamente felizes. E nós estaremos sempre onde essa felicidade estiver. O céu é o limite!